“Confundidos são todos os que servem imagens
esculpidas, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele, todos os deuses.”
Salmos
97:7
Muitos estudiosos e arqueólogos
tentam negar a historicidade da Bíblia afirmando que os judeus copiaram e
adaptaram os mitos da Suméria, Babilônia e Assíria, compondo com isto, seu
livro de Gênesis. Uma evidencia para esta teoria é o fato de os documentos que
relatam os mitos mesopotâmicos serem mais antigos do que a Bíblia. Mas e se
estes documentos fossem interpretados como uma evidencia da herança oral de
Adão e Noé, distorcida por estes povos logo após a torre de Babel? Por certo,
se todas as religiões e povos tiveram origem em um ponto comum da história,
deveríamos esperar semelhanças!
A contrafação que Satanás
apresenta aos homens através de seus servos é sempre muito parecida com a
verdade. Do contrário não convenceria! Foi assim que algumas verdades do tempo
de Adão foram sendo mudadas em idolatria nos primórdios da civilização. A
criatura foi sendo adorada em lugar do verdadeiro Criador, as leis e a moral
sendo alteradas e a mensagem de perdão e redenção completamente anuladas da
mente humana.
Se Gn. 1 apresenta que a criação
é obra de Elohim, um termo plural, usado no singular que indica a verdade Bíblica
da Trindade (um único Deus manifesto em três pessoas), os sumérios como muitos
outros povos, em substituição a trindade conceberam uma tríade, ou seja, três
deuses diferentes que ocupam proeminência. De forma geral eles eram Anu, Enki e
Enlil.
Anu(An) é o pai dos Anunanki, que
em alguns momentos nos lembram anjos que servem ou o serviram o verdadeiro Deus
e em outros momentos dos relatos sumerianos, nos lembram os humanos antes do
dilúvio que a Bíblia chama de gigantes ‘enakins’.
Segunda a especialista em
religiões antigas comparadas Mircela Eliane, historiadora sem convicções
ortodoxas na Bíblia, ela identifica vários detalhes sobre Anu em seu Tratado de
História das Religiões que podemos fazer paralelos com a visão que a Bíblia
oferece do Deus Pai judaico/cristão.
Anu era um hieróglifo usado para ‘Elevado’,
para dar ideia de extensão espacial do céu, para brilhante e curiosamente, para
algo que não tem muita relação com brilhante, para ‘chuva’. Notavelmente Anu
lembra o Deus bíblico, ele é além de sua criação, é brilhante no sentido de
nobre, mas também era o ser que enviou o dilúvio e por isso, os Sumérios,
descendentes dos rebeldes construtores de Babel, o viam como o deus superior,
mas não queriam muita proximidade com ele.
Anu é o deus do dilúvio e tal
como nos narra a Bíbllia de que as pessoas se afastaram de Deus, Anu não tem um
culto muito difundido e popular, aliás poucas vezes é citado e mais uma vez,
tal como o Deus Pai Bíblico nunca é representando por uma imagem de escultura,
algo que seria de se esperar dos idolatras Sumérios que tinham representações
de seus deuses. Anu parece um deus que foi legado ao mistério, medo e
desconfiança para o povo comum, pois só os soberanos podem invoca-lo. Vemos
aqui uma estratégia do inimigo de Deus para levar os povos do passado ao
gradual abandono do Deus Criador invisível e mergulha-los na idolatria.
Anu mora nos confins do Céu, num
palácio onde era visitado pelos deuses onde era chamado de ‘Pai’, mais no
sentido de autoridade do que de geração. Seus títulos se assemelham muito com o
Deus Pai bíblico, tal como ‘deus do Céu’, ‘pai dos Céus’, ‘rei dos Céus’ e ‘soberano
dos exércitos’. É Anu quem comanda o exército das estrelas e muitos o
associavam com a constelação de Órion, chamada pelos mesopotâmicos de ‘pastor
divino’.
A seguir vemos a conexão
Babel-Suméria-Egito na mistificação de Anu, quando o mito desenrola a crença da
separação do céu Anu e da mãe terra Ki, por ocasião do nascimento de outros
deuses que personificam aspectos das forças da natureza. Anu vai decaindo de
deus criador para uma personificação celestial distante e irrelevante, tradição
que foi mantida por todas as religiões pagãs da antiguidade.
Anu tem um filho, que nos lembra
muito a figura messiânica de Jesus, seu nome é Enki ou Ea. Representado pelo
signo do capricórnio, uma cabra com rabo de peixe que tornou-se um signo do
zodíaco. Ele é o criador do primeiro homem chamado de Adapa que é posto para
governar a cidade de Eridú ( uma referencia ao Éden?) construída por Enki que
descansou ao sétimo dia depois de sua obra. Podemos notar que a esta altura da história
da humanidade, nem os pagãos haviam mudado o descanso no sétimo dia. Enki
também é a divindade que anuncia ao seu servo Ziusudra, ou Utnapishtim em
outras versões, sobre o dilúvio enviado por Anu para destruir a Terra.
Se em alguns momentos Enki assume
o papel de ‘deus Filho’ em outros assume o papel que na Bíblia é de Adão. Enki
é o Em Ki, significando Senhor da Terra, apontando para sua filiação tal como
Adão, feito de elemento terra e colocado como aquele que governa a Terra para
Deus. Enki está num trono sobre as águas e ao acordar de seu sono une-se a
deusa Nin-gur-sag. Eles moram em Dilmun o paraíso onde não há morte, doença,
onde o leão não trucida presas e o lobo não rouba cordeiros. A difusão da
lembrança do jardim do Éden é muito clara!
Aparentemente o pai Adão foi
visto pelas culturas que se afastaram da religião verdadeira como um ancestral
impopular, num tipo de complexo de Édipo espiritual, os antigos desprezaram seu
ancestral masculino e elevaram a condição de sua mãe ancestral. No mito de Enki,
ele come certas plantas e enquanto gastava tempo em dar nome as espécies, sua
esposa fica indignada e não olhará mais para ele com ‘olhar de vida’, mas
quando ele definha, é ela, chamada de ‘senhora da costela’ quem o cura.
Às vezes ilustrado como vento, o
Espírito Santo aparece no capítulo um de Gênesis pairando sobre as águas, este
Espírito é substituído pelos sumérios por Enlil o deus do ar, do vento e da
atmosfera. Filho de Anu, ele vive rivalidades com Enki, lembrando a disputa
entre Cristo o Filho de Deus e Satanás, um anjo que se rebela depois que não
lhe é permitido ser igual a Deus (Isa 14 e Ap.12). Curiosamente, na antiga
suméria apesar do papel superior de Enki é Enlil quem se torna mais popular e
mais adorado. No mito sumério, Enlil é descrito como apaixonado por uma bela
chamada Ninlil, a qual ele estupra e então, julgado pelos deuses ele é expulso
de Dilmun o jardim/casa dos deuses e enviado para terra do não retorno.
É possível que o mito de Enlil
seja uma fusão de histórias com distorções da tradição religiosa oral. Talvez
represente a expulsão de Lúcifer da morada de Deus, ou esta com a lembrança
expulsão de Cain do convívio da família Adâmica.
A humanidade é mostrada numa
época antiga vivendo num mundo belo, mas corrupta, quando seus pecados irritam
Anu e Enlil que decidem seu fim por um dilúvio. Exceto o rei Zisudra, descrito
como humilde, submisso e piedoso. Segunda a opinião da professora de História
das Religiões da Universidade de Chicaco, Mircea Eliade, “o mito do dilúvio é quase
universalmente difundido é atestado em todos os continentes, embora mito
raramente na África e em níveis diferentes de cultura. Certo número de
variantes parece ser o resultado da difusão, primeiro a partir da Mesopotâmia e
depois da Índia.”
A religião suméria, com tantas
semelhanças com o Gênesis Bíblico não é mais do que a deturpação da tradição
oral vinda de Adão e Noé. Sabemos disso, pois no mito o deus do mito é a
natureza personificada, mas na Bíblia Deus é um ser pessoal que cria a
natureza.
Além disso, os próprios autores
Bíblicos e profetas hebreus lutavam arduamente para diferenciar sua fé dos
mitos dos povos que os cercavam. O que garante que os hebreus não emprestaram
sua literatura daquelas lendas que eles tanto desprezavam e exortavam o povo a
não dar ouvidos quando em contato com estes povos. Atitude completamente
diferente do sincretismo que havia em todo o ‘crescente fértil’ do Egito a
Mesopotâmia, sempre misturando as religiões e absorvendo deuses de culturas
vizinhas. Historicamente os hebreus e judeus sempre foram alvo de segregação
religiosa e racial, em boa parte devido sua inflexível postura diante do
sincretismo religioso. É como se os hebreus estivessem mostrando que o
paganismo era uma religião fruto de imitação de má qualidade, pura pirataria
religiosa!
Por
Pr. Ericson Danese
Mircea Eliade,
Tratado de História das Religiões, Editora WMF Martins Fontes Ltda, São Paulo,
SP.
Mircea Eliade,
História das crenças e das Ideias ReligiosasI, Zahar, Rio de Janeiro.
Bill Cooper, Depois do Dilúvio,
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Casa Publicaora Brasileira.
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confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
Philip Wilkinson, Mitos e Lendas
Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.
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Casa Publicadora Brasileira
R. N. Champlin, Enciclopédia de
Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em
notas de sala de aula de Ericson Danese
Samuel J. Schulz. A história de
Israel. Vida Nova
Serie Logos, Comentário Bíblico
Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.








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