domingo, 27 de maio de 2012

Suméria da religião pirateada

Confundidos são todos os que servem imagens esculpidas, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele, todos os deuses.”
Salmos 97:7

Muitos estudiosos e arqueólogos tentam negar a historicidade da Bíblia afirmando que os judeus copiaram e adaptaram os mitos da Suméria, Babilônia e Assíria, compondo com isto, seu livro de Gênesis. Uma evidencia para esta teoria é o fato de os documentos que relatam os mitos mesopotâmicos serem mais antigos do que a Bíblia. Mas e se estes documentos fossem interpretados como uma evidencia da herança oral de Adão e Noé, distorcida por estes povos logo após a torre de Babel? Por certo, se todas as religiões e povos tiveram origem em um ponto comum da história, deveríamos esperar semelhanças!
A contrafação que Satanás apresenta aos homens através de seus servos é sempre muito parecida com a verdade. Do contrário não convenceria! Foi assim que algumas verdades do tempo de Adão foram sendo mudadas em idolatria nos primórdios da civilização. A criatura foi sendo adorada em lugar do verdadeiro Criador, as leis e a moral sendo alteradas e a mensagem de perdão e redenção completamente anuladas da mente humana.
Se Gn. 1 apresenta que a criação é obra de Elohim, um termo plural, usado no singular que indica a verdade Bíblica da Trindade (um único Deus manifesto em três pessoas), os sumérios como muitos outros povos, em substituição a trindade conceberam uma tríade, ou seja, três deuses diferentes que ocupam proeminência. De forma geral eles eram Anu, Enki e Enlil.
Anu(An) é o pai dos Anunanki, que em alguns momentos nos lembram anjos que servem ou o serviram o verdadeiro Deus e em outros momentos dos relatos sumerianos, nos lembram os humanos antes do dilúvio que a Bíblia chama de gigantes ‘enakins’.
Segunda a especialista em religiões antigas comparadas Mircela Eliane, historiadora sem convicções ortodoxas na Bíblia, ela identifica vários detalhes sobre Anu em seu Tratado de História das Religiões que podemos fazer paralelos com a visão que a Bíblia oferece do Deus Pai judaico/cristão.
Anu era um hieróglifo usado para ‘Elevado’, para dar ideia de extensão espacial do céu, para brilhante e curiosamente, para algo que não tem muita relação com brilhante, para ‘chuva’. Notavelmente Anu lembra o Deus bíblico, ele é além de sua criação, é brilhante no sentido de nobre, mas também era o ser que enviou o dilúvio e por isso, os Sumérios, descendentes dos rebeldes construtores de Babel, o viam como o deus superior, mas não queriam muita proximidade com ele.
Anu é o deus do dilúvio e tal como nos narra a Bíbllia de que as pessoas se afastaram de Deus, Anu não tem um culto muito difundido e popular, aliás poucas vezes é citado e mais uma vez, tal como o Deus Pai Bíblico nunca é representando por uma imagem de escultura, algo que seria de se esperar dos idolatras Sumérios que tinham representações de seus deuses. Anu parece um deus que foi legado ao mistério, medo e desconfiança para o povo comum, pois só os soberanos podem invoca-lo. Vemos aqui uma estratégia do inimigo de Deus para levar os povos do passado ao gradual abandono do Deus Criador invisível e mergulha-los na idolatria.
Anu mora nos confins do Céu, num palácio onde era visitado pelos deuses onde era chamado de ‘Pai’, mais no sentido de autoridade do que de geração. Seus títulos se assemelham muito com o Deus Pai bíblico, tal como ‘deus do Céu’, ‘pai dos Céus’, ‘rei dos Céus’ e ‘soberano dos exércitos’. É Anu quem comanda o exército das estrelas e muitos o associavam com a constelação de Órion, chamada pelos mesopotâmicos de ‘pastor divino’.
A seguir vemos a conexão Babel-Suméria-Egito na mistificação de Anu, quando o mito desenrola a crença da separação do céu Anu e da mãe terra Ki, por ocasião do nascimento de outros deuses que personificam aspectos das forças da natureza. Anu vai decaindo de deus criador para uma personificação celestial distante e irrelevante, tradição que foi mantida por todas as religiões pagãs da antiguidade.
Anu tem um filho, que nos lembra muito a figura messiânica de Jesus, seu nome é Enki ou Ea. Representado pelo signo do capricórnio, uma cabra com rabo de peixe que tornou-se um signo do zodíaco. Ele é o criador do primeiro homem chamado de Adapa que é posto para governar a cidade de Eridú ( uma referencia ao Éden?) construída por Enki que descansou ao sétimo dia depois de sua obra. Podemos notar que a esta altura da história da humanidade, nem os pagãos haviam mudado o descanso no sétimo dia. Enki também é a divindade que anuncia ao seu servo Ziusudra, ou Utnapishtim em outras versões, sobre o dilúvio enviado por Anu para destruir a Terra.
Se em alguns momentos Enki assume o papel de ‘deus Filho’ em outros assume o papel que na Bíblia é de Adão. Enki é o Em Ki, significando Senhor da Terra, apontando para sua filiação tal como Adão, feito de elemento terra e colocado como aquele que governa a Terra para Deus. Enki está num trono sobre as águas e ao acordar de seu sono une-se a deusa Nin-gur-sag. Eles moram em Dilmun o paraíso onde não há morte, doença, onde o leão não trucida presas e o lobo não rouba cordeiros. A difusão da lembrança do jardim do Éden é muito clara!
Aparentemente o pai Adão foi visto pelas culturas que se afastaram da religião verdadeira como um ancestral impopular, num tipo de complexo de Édipo espiritual, os antigos desprezaram seu ancestral masculino e elevaram a condição de sua mãe ancestral. No mito de Enki, ele come certas plantas e enquanto gastava tempo em dar nome as espécies, sua esposa fica indignada e não olhará mais para ele com ‘olhar de vida’, mas quando ele definha, é ela, chamada de ‘senhora da costela’ quem o cura.
Às vezes ilustrado como vento, o Espírito Santo aparece no capítulo um de Gênesis pairando sobre as águas, este Espírito é substituído pelos sumérios por Enlil o deus do ar, do vento e da atmosfera. Filho de Anu, ele vive rivalidades com Enki, lembrando a disputa entre Cristo o Filho de Deus e Satanás, um anjo que se rebela depois que não lhe é permitido ser igual a Deus (Isa 14 e Ap.12). Curiosamente, na antiga suméria apesar do papel superior de Enki é Enlil quem se torna mais popular e mais adorado. No mito sumério, Enlil é descrito como apaixonado por uma bela chamada Ninlil, a qual ele estupra e então, julgado pelos deuses ele é expulso de Dilmun o jardim/casa dos deuses e enviado para terra do não retorno.
É possível que o mito de Enlil seja uma fusão de histórias com distorções da tradição religiosa oral. Talvez represente a expulsão de Lúcifer da morada de Deus, ou esta com a lembrança expulsão de Cain do convívio da família Adâmica.
A humanidade é mostrada numa época antiga vivendo num mundo belo, mas corrupta, quando seus pecados irritam Anu e Enlil que decidem seu fim por um dilúvio. Exceto o rei Zisudra, descrito como humilde, submisso e piedoso. Segunda a opinião da professora de História das Religiões da Universidade de Chicaco, Mircea Eliade, “o  mito do dilúvio é quase universalmente difundido é atestado em todos os continentes, embora mito raramente na África e em níveis diferentes de cultura. Certo número de variantes parece ser o resultado da difusão, primeiro a partir da Mesopotâmia e depois da Índia.”
A religião suméria, com tantas semelhanças com o Gênesis Bíblico não é mais do que a deturpação da tradição oral vinda de Adão e Noé. Sabemos disso, pois no mito o deus do mito é a natureza personificada, mas na Bíblia Deus é um ser pessoal que cria a natureza.
Além disso, os próprios autores Bíblicos e profetas hebreus lutavam arduamente para diferenciar sua fé dos mitos dos povos que os cercavam. O que garante que os hebreus não emprestaram sua literatura daquelas lendas que eles tanto desprezavam e exortavam o povo a não dar ouvidos quando em contato com estes povos. Atitude completamente diferente do sincretismo que havia em todo o ‘crescente fértil’ do Egito a Mesopotâmia, sempre misturando as religiões e absorvendo deuses de culturas vizinhas. Historicamente os hebreus e judeus sempre foram alvo de segregação religiosa e racial, em boa parte devido sua inflexível postura diante do sincretismo religioso. É como se os hebreus estivessem mostrando que o paganismo era uma religião fruto de imitação de má qualidade, pura pirataria religiosa!

Por Pr. Ericson Danese



Mircea Eliade, Tratado de História das Religiões, Editora WMF Martins Fontes Ltda, São Paulo, SP.

Mircea Eliade, História das crenças e das Ideias ReligiosasI, Zahar, Rio de Janeiro.

Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.

Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira.

Ellen G. White, História da Redenção, Casa Publicaora Brasileira.

Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova

Philip Wilkinson, Mitos e Lendas Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.

Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira

R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos

Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese

Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova

Serie Logos, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Suméria e a invenção da alma imortal

Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá” Ezequiel 18:3-4
Escrita em cuneiforme Acadiano, a Epopéia de Gilgamesh apresenta a história do rei de Uruk, (possivelmente a versão mistificada de Ninrod, o personagem Bíblico). Neste poema, quando o herói Gilgamesh contempla a morte de seu melhor amigo Enkidu, a percepção de sua mortalidade o perturba tanto, que ele se lança numa busca pela vida eterna. Gilgamesh ouve falar de um homem chamado Utnapishtim que sobreviveu ao dilúvio e dizem ter ganhado a vida eterna dos deuses.
Talvez o mito seja baseado na história de um homem (Ninrod?) que buscou o famoso Noé para entender a vida e a morte. Noé nos dias de Ninrod já era um personagem misturado a mitos e história real. Ele pode ter ganhado a fama de imortal quando sua longevidade era comparada aos homens posteriores ao dilúvio. Provavelmente nem todas as gerações posteriores a seus contemporâneos viram sua morte ou o lugar onde foi sepultado, isto pode ter contribuído para o mito de Utnapishtim. Se o poema é baseado na história real e se ele achou ou não Noé, ou se Noé ainda estava vivo nos dias de Ninrod, bem, isso é outra história! Penso que não, mas o que nos importa, é que Gilgamesh contenta-se que seu destino é a morte!
Para onde iriam os mortos? A teologia do Deus Bíblico dizia que o morto ia para o pó da terra, (Gn.3) de onde tinha sido formado, então, se povos pagãos quisessem desenvolver uma mitologia, teriam que responder de forma diferente esta pergunta. A mitologia suméria expressa uma ideia de vida além-túmulo bem primitiva! Já que os mortos eram enterrados ou postos em cavernas, os sumérios devem ter imaginado um submundo abaixo de seus pés era o contrário da morada dos deuses acima de suas cabeças. Podemos observar que a ideia de separação de alma e corpo ainda não estavam muito bem definidas, ela foi sendo desenvolvida assim como ideia e concepção de céu ou inferno como resultado imediato a morte.
No mito da decida da deusa Inanna aos infernos, ela é aprisionada por demônios que a transformam num corpo em decomposição. Ora, como um espírito poderia ser transformado em cadáver? Está óbvio que a ideia de independência da alma ainda não estava bem desenvolvida. Este reflexo e a herança deste mito e conceito antigo da alma e corpo serem uma unidade fica impresso em mitos posteriores que herdaram esta temática como Horfeu e muitos outros. A suméria representa os primórdios da distorção a respeito da verdade sobre a morte.
Para o sumério, a morada dos mortos era algo etéreo, onde os mortos vagavam como sombras num lugar que lembrava uma caverna onde vivia a deusa que personificava a morte chamada Ereshkigal. Também haviam muitos demônios. Note que os demônios já estão ligados à morte, por conseguinte, a morte tinha ligação original com o mal!
A ideia de que a alma não morreria foi uma mentira de Satanás. Esta mentira pode ter sido reforçada quando os homens se encontravam com entes queridos nos sonhos, tendo a impressão terem sido visitados pelos mortos. Visualizando que o corpo tinha se destruído, imaginaram que havia uma existência independente da matéria. Sabemos que Egípcios pensavam ser a sombra um espírito do corpo e que alguns indígenas chegaram a confundir o reflexo com seu espírito.
Uma vez concebida a ideia de outra vida, de submundo, começaram surgir funerais elaborados, onde o defunto levava consigo objetos pessoais. Nos túmulos reais de Ur o ponto máximo deste costume foi o sacrifício coletivo dos servos do soberano.
Entretanto, foi a necromancia, mediunidade (prática proibida por Deus na Bíblia, Dt.18) e as aparições sobrenaturais que deram uma experiência real para os primeiros a serem enganados por Satanás. Em cada médium, xamã e espírito ancestral estava o mesmo que fez a serpente de médium no jardim. Ao conseguir convencer nossos ancestrais fez com que não se importassem mais com redenção e arrependimento, pois haveria outra chance em outra vida. Por que deveriam se arrepender de algo? Ao dizer que temos alma imortal, estamos dizendo que somos aquilo que somente Deus é, e com isto blasfemamos e nos unimos às fileiras do inimigo de Deus.
Sendo a morte a consequência do pecado os homens herdaram a natureza de Adão e seu fim. Morte é não existir, é um estado de inconsciência (Eclesiastes 9:4-7), como o sono sem sonhos (S. Jo. 11:11). Na Bíblia, a solução para a não existência do homem é a morte substituta do Filho de Deus que perdoa os pecados do homem graças ao poder de ressurreição do Filho de Deus, para um dia, através da fé em Jesus voltar a vida, num corpo renovado e herdar a eternidade (I Tes. 4:13-18 e I Cor. 15:35-58)!

por Pr. Ericson Danese

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Os Ídolos e as Joias

“Porque todos os deuses dos povos são ídolos; mas o Senhor fez os céus”
Salmo 96:5

Se a suméria queria ter uma religião, precisava de um mito de origem. Deixando de lado a fé monoteísta de Noé, seus descendentes passaram a divinizar as forças da natureza usadas pelo Criador para criar o universo.
O céu; sabiam eles, era onde estava o Criador de Adão e do mundo, do qual Noé falou aos seus antepassados, sobre um Deus além do tempo e da criação. Mas em sua busca por visualizar o divino, o próprio céu foi personificado e divinizado, deixando de ser morada divina para ser o próprio deus. Eles o chamaram de Anu ou An e logicamente se eles tinham esposa, imaginaram que o deus céu deveria ter como esposa a mãe de todos eles, ou seja, a terra que por tradição Adâmica, sabia-se que o primeiro homem havia sido feito do barro.
Filhos de An(céu) e Ki(terra) começaram a surgir como deuses, espíritos e demônios. Entre os sumérios, perdeu-se o conceito de anjo que os patriarcas tinham a respeito dos mensageiros de Deus e estes foram identificados como deuses. Teriam estes anjos caídos, aparecido aos homens primitivos como espíritos ou seres divinos pedindo adoração? Note que muitos de seus deuses tinham asas, tal como os anjos descritos na Bíblia.
Eles ainda tinham um problema. Como apresentar os deuses ao povo? Como o sacerdote poderia justificar o templo como a morada dos deuses e com isto pedir o seu sustento?
Se o barro podia dar forma às coisas e o próprio homem vinha dele, por que não através da cerâmica e da escultura, visualizar os deuses? Assim nasceu os ídolos, o que pareceu bom para o povo, pois agora podiam tocar no deus e até leva-lo para sua casa. Uma maneira mais simples e misteriosa era representa-los por símbolos que aos poucos receberam conceitos místicos. Aquilo que era transcendente e distante, agora era próximo e por que não tão próximo que não pudesse ser carregada no corpo, levando o deus protetor a toda parte e garantindo proteção permanente?
Em resposta, surgem os amuletos sempre relacionados às joias, tendo poderes místicos em determinados metais e pedras que atraiam as forças sobrenaturais! Pense em por que o ouro é caro? Por que é raro? E por que alguém precisa procura-lo? Arte seria futilizada na moda para ressaltar as pessoas umas das outras, nobres de comuns, ricos de pobres, poderosos de fracos. Unida à idolatria, a moda faria uma parceria que jamais abandonaria a história da vaidade humana.
O valor de uma pessoa estava no que usava, então, se isto a deixasse com ar de poder, talvez ela fosse admirada como os deuses! Divindades femininas como Inana são sempre retratadas repletas de joias e ornamentos para apresenta-la de forma sensual e com ar de poder! No mito desta deusa, ela visita o mundo inferior e tem que se desfazer destas joias. Joias eram símbolo de status e distinção. Os artesãos da Mesopotâmia eram grandes ourives. Em Ur, a indumentária feminina era especialmente valorizada por braceletes, colares de pedras, brincos dourados e toucas com finos motivos florais.
Curiosamente na Bíblia os ídolos estavam associados às joias e toda vez que o povo de Deus foi chamado a um reavivamento, chamado a ser diferente do mundo e voltar à religião pura e original, abandonavam os ídolos e as joias.

Por Pr. Ericson Danese

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Suméria, berço das cidades, idolatria, sincretismo e ecumenismo

Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o SENHOR a língua de toda a terra, e dali os espalhou o SENHOR sobre a face de toda a terra.”
Gn. 11:9

No início as primeiras cidades eram conjuntos de famílias e amigos mais achegados se reunindo por afinidades para sobreviverem juntos. Tão logo a população cresceu, a necessidade destacou as personalidades de liderança, gerando o protótipo dos líderes que se tornariam os reis e dos sacerdotes.
Naturalmente religioso, o homem presumia pelas forças da natureza a interferência do mundo espiritual em sua vida e deseja se comunicar com este mundo para sentir-se seguro. Todavia nem todo rei ou chefe tribal tinha vocação religiosa ou habilidade de fortalecer a fé de seus liderados, alguns chefes tribais poderiam ser tal como o Esaú bíblico que desperdiçou seu direito a primogenitura e liderança religiosa do clã. Neste caso, pode ser que uma esposa, mãe, irmão ou parente começou a auxiliar o rei, surgindo assim o clero e com o tempo suas especializações, tais como sacerdotes, curandeiros, adivinhos, exorcistas e outros.
Na Suméria que florescia pontilhando a região da Mesopotâmia com cidades-estados, havia necessidade de organizar os limites da cidade e das propriedades. A terra foi considerada propriedade do Criador, os deuses emprestavam a terra aos homens, em troca os homens mantinham sua adoração e todo o complexo do templo que era sua moradia.
Foi neste momento de organização que uma invenção fantástica revolucionou o mundo! A terra, as colheitas e as ofertas necessitavam de contagens e registros e assim deve ter surgido à escrita. Depois, a própria tradição religiosa e os rituais encontraram uma forma de representação através da arte e da escrita. Os sacerdotes sumérios registravam e arquivavam tudo nos templos e o rei, encarnava e mediava a vontade dos deuses.
Aqui vemos uma diferença marcante entre o paganismo e o monoteísmo Judaico Cristão. Na Bíblia, o patriarca era o sacerdote e depois a nação inteira deveria ser uma nação de sacerdotes. É a constante ameaça de idolatria que forçaram o surgimento dos Levitas como sacerdotes especializados em tempo integral. Porém, a partir do Novo Testamento com o advento da igreja, o sacerdócio de todos os crentes é regatado por Jesus e seus apóstolos.
O mesmo se deu com a figura do rei, o povo de Israel não vê em Moisés ou Josué a figura de um rei, nem mesmo há sucessão hereditária, pois Deus é o rei de seu povo! Quando Israel se estabelece na terra, Deus lhes apresenta o conceito de líderes locais num sistema de governo que eles chamam de ‘Juízes’. Somente depois que o povo insiste em ser igual a outras nações, Deus estabelece a monarquia, onde Ele escolhe seu representante, faz aliança com ele e com sua família e o remove quando quer. O rei de Israel não é o soberano, mas digamos um ‘protetor do trono’ para o Rei que virá!
Na suméria pagã e nas civilizações idolatras que a sucedeu pelo mundo todo, a religião é o elemento unificador, motivador, definidor de padrões morais e grande conforto a busca existencial. Quando os soberanos entenderam este poder, dominaram a religião para poder executar seus propósitos com apoio popular. A religião era mais eficiente do que o exército, pois garantia a cooperação.
Mais e se alguém questionasse a religião? Então o exército agia! Mas e se a própria religião questionasse os governantes e o exército? Então, mudavam a religião, os sacerdotes, a teologia e até os deuses! Assim as religiões e deuses foram se diversificando nos primórdios de nossa civilização. Ideias diferentes, mais deuses. Novos propósitos, novos deuses!
Por isso a suméria antiga é conhecida como inventora das cidades, mas junto vieram as muitas religiões. Prova disso é o deus padroeiro de cada cidade sumeriana. Com os séculos, os casamentos, as guerras e o comércio entre estas cidades misturaram as religiões e intercambiaram as concepções locais de deuses. Assim surgiu a idolatria e as muitas religiões!

por Pr. Ericson Danese
Bibliografia, ibid postagem anterior.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Sumérios e os descendentes de Noé

Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Sucedeu que partindo eles do Oriente, deram com uma planície na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa”.
Gn. 11:1-2

Provavelmente, alguns anos após o Dilúvio o clima começou esfriar e ressecar. Talvez o frio das glaciações tenha empurrado os descendentes de Noé aos vales em busca de calor e fertilidade do solo da Suméria, a terra de Sinar. A cordilheira do Ararat fica próxima aos montes Zagros e do planalto Iraniano, a tradição Babilônica do dilúvio diz que os sobreviventes desceram nos montes Zagros, o que pode concordar com a Bíblia dizer que o povo saiu de oriente para encontrar o vale do Tigre e Eufrates. Historicamente, a origem do povo Sumério é um mistério, mas a teoria mais aceita é que eles migraram do planalto do Irã, ou do norte da Suméria e talvez das montanhas ao oriente, o que aproxima os bíblicos descendentes de Noé com os povos Sumérios.
Por sua linguagem diferente eles são apresentados como invasores que se mesclaram aos povos daquela região, onde já habitavam povos semitas. No entanto eles são a evidencia de Camitas vivendo entre os Semitas. São povos de cultura idêntica, vivendo ao mesmo tempo no mesmo lugar mas com língua distinta.
O arqueólogo Dr. Rodrigo Silva relata sobre um tablete Sumeriano com a correspondência entre dois reis no qual um relata ao outro de que houve uma era de ouro na Mesopotâmia, onde havia harmonia nos idiomas da Suméria e todo o povo adorava em uníssono a Enlil em uma só língua.[1]
Há ainda outras curiosas semelhanças entre os descendentes de Noé e os Sumérios. É nos dito que após o dilúvio, ocorre a embriaguez de Noé com vinho, sendo que entre os sumérios o vinho já era conhecido e atribui-se a eles a invenção da cerveja. Zigurantes (pirâmides escalonadas) dos Sumérios eram feitas de tijolos cozidos, com betume por argamassa, pois a região era pobre em pedras, exatamente como descreve a Bíblia em (Gn. 11:3).
A Bíblia apresenta os descendentes de Noé como uma inteligente civilização capaz de empreender obras complexas como a Arca de Noé, a Torre de Babel e cidades logo após o Dilúvio. A Suméria histórica surge de forma abrupta com cidades, ciência, astronomia, matemática avançada usando o sistema baseado nos números 6 e 10 usando relógios e calendários com 60 segundos, 60 minutos e 12 horas. Eles são os inventores da escrita (cuneiformes), da roda, da roda de oleiro, astronomia, agricultura e pecuária. Tantos avanços poderiam surgir abruptamente em conjunto fruto de povos emergentes da idade da pedra?
A Bíblia diz que antes do dilúvio havia criação de animais (Gn. 4:2), em especial ovelhas e sabemos que na Arca de Noé havia rebanhos de ‘animais limpos’ gado, ovinos e caprinos para consumo humano após a catástrofe. Mais uma vez os Sumérios se encaixam na descrição de povos pós diluvianos pois a eles é atribuída a domesticação de ovelhas, gado e a criação em grande escala destes animais! Além disso, usavam o boi para o trabalho, o jumento para carga de carroças e a lã para suas roupas.
A Bíblia diz que Noé era agricultor (Gn.9:20) e os Sumérios, seus descendentes, estão entre os pais da agricultura desenvolvendo sementes de trigo, cevada, grão de bico, verduras e legumes diversos. Além de sistema de calendário de colheitas usavam irrigação artificial, diques e aparelhos de debulha rudimentares.
Até mesmo nos pequenos barcos que percorriam o Eufrates encontramos um detalhe comum com um ‘velho e grande barco Bíblico’. Entre os modelos Sumérios havia um tipo de barco calafetado com betume.
Se nossa história começou no vale do Tigre e do Eufrates, que dizer dos artefatos da idade da pedra no mundo inteiro?
Imagine que você e sua família, com poucos recursos devem deixar sua cidade e colonizar uma terra selvagem e completamente nova. Certamente vocês voltarão à idade da pedra! Onde não há fábricas, comércio e civilização a sociedade voltará a ser de caçadores e coletores fabricando ferramentas rudimentares.
Em muitos lugares, os grupos dispersos tendo conhecimentos e recursos diferentes alcançaram níveis culturais diferentes. Muitos nômades, caçadores e coletores nunca desenvolveram uma civilização. Ainda hoje, contemplamos diferentes níveis tecnológicos em plena era da internet. Assim como há pessoas em vídeo conferencia nos arranha céus de Nova Iorque, ou na moderna Tóquio, há índios no interior da Amazônia que nunca viram um carro ou um homem branco e vivem na idade da pedra.
Algo similar ocorreu com os povos que iam migrando após o episódio da Torre de Babel! Alguns tinham a roda, a matemática e a escrita, enquanto outros eram apenas caçadores e coletores, tendo muitas vezes ocupado cavernas para abrigar-se das intempéries. Alguns tinham a técnica aprimorada da cerâmica, enquanto outros tinham uma vaga ideia e foram forçados a produzir uma versão rudimentar desta arte. Enquanto alguns já fundiam ligas metálicas, outros não sabiam como fazer e tudo o que conseguiram era lascar pedras.
O surgimento abrupto de tão complexa civilização testemunha que os Sumérios são herdeiros de uma antiga e perdida civilização que possuía grandes avanços antes do dilúvio descrito na Bíblia, mas teve que recomeçar do marco zero com recursos limitados. Não foram milhares de anos progressivos de um passado bestial e ignorante que nos legou a civilização! Há uma lacuna intransponível entre este mundo da idade da pedra e a luxuosa Suméria, a terra dos descendentes de Noé e pais da humanidade! 

Por Pr. Ericson Danese


Pesquise Mais em:
·         Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.
·         Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira.
·         Ellen G. White, História da Redenção, Casa Publicaora Brasileira.
·         Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
·         Philip Wilkinson, Mitos e Lendas Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.
·         Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
·         R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
·         Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
·         Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova
·         Serie Logos, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.




[1] Rodrigo Silva, 74.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Quem se importa com os Acadianos?

“Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar esta terra em herança.”
Gn. 15:7

A Bíblia apenas menciona em Gn. 10:10 o nome da cidade a qual acreditamos que eles tiveram origem. Acade (sig. Fortaleza), fundada ou dominada por Ninrod, chamada também de Agade, que denominou o império Acadiano, conhecido como primeiro império do mundo, estendendo-se do Golfo Pérsico a costa da Palestina. Na verdade, a maior parte do que sabemos sobre eles vem de estatuetas e inscrições cuneiformes da época do primeiro império Babilônio. Essas cópias feitas por escribas Babilônios apresentam tabletes de reis Acadianos que viveram séculos antes.
Os motivos das inscrições eram muitos, mas foram os Acadianos os primeiros a usar as stelas e murais de vitória para propaganda política, influenciando o povo e contando os fatos como lhes convinha.
Em muitas destas inscrições o rei era apresentado como o escolhido dos deuses, eleito para ser o soberano, para defender os marcos de suas cidades e promover os altares dos deuses, do qual ele era o mediador entre eles e os homens. As terras eram consideradas dos deuses e se pagavam contribuições aos sacerdotes pelo uso delas. Estar no controle da fé era um bom negócio e os soberanos acadianos não abriam mão disso.
O rei é apresentando como vitorioso esmagando os inimigos dos deuses, a estela de Naran Sin o apresenta como um vitorioso que pisa e transpassa seus inimigos e usa uma coroa com cornos, símbolo visto em muitos deuses sumérios e acadianos.
O exército Acadiano era mais versátil que o exército sumério convencional. Os acadianos distribuíam sua tropa com armas inovadoras, mais leves e letais como lanças e machados, no entanto seriam os arqueiros que fariam a diferença ofensiva na recém inventada ‘artilharia’. A motivação do soldado era ganhar um pedaço das terras conquistadas.
Quando dominavam uma cidade, os Acadianos infiltravam um regente local filiado ao soberano e dominavam a religião, absorvendo e respeitando tanto quanto possível os mitos locais. Pouco se vê a diferença entre a religião acadiana e os sumérios. Você pode se perguntar ‘quem se importa com os Acadianos?’, mas os Acadianos não só inventaram o império, mas inventaram a união de estado e religião! Assunto muito relevante ainda hoje!
Seu império foi fundado pelo famoso Sargão de Agade(Acade), cuja auto biografia cuneiforme lhe dá origens que lembram Moisés e os heróis clássicos. Sua trajetória lembra muito a história de Ninrod. Sendo ele posterior ao período de Babel, já que o Acadiano era uma língua diferente do Sumério, é provável que Sargão tenha sido um líder semita que reuniu exércitos e inspirado pelas histórias de Ninrod dominou as outras cidades.
Um bom exemplo de sua habilidade em formar um estado religioso é sua filha Enheduana a famosa princesa sacerdotisa de Ur dos Caldeus, autora de 42 hinos à deusa Inana. Os Acadianos chegaram ao seu apogeu com o neto de Sargão, Naran Sin e depois disto decaíram com as invasões dos Gutias que abriram espaço para o renascimento sumério liderado pela cidade de Ur.
Os acadianos se desfizeram rapidamente, mas sua influencia na maneira de governar estado e religião permaneceu entre os sumérios, não é a toa que neste ambiente totalitário de paganismo, onde as terras eram dos deuses (ídolos) e as cidades eram dedicadas aos templos pagãos, o Deus vivo tenha achado melhor tirar Abraão de certa cidade adoradora da Lua, chamada Ur dos Caldeus!

por Pr. Ericson Danese

Fontes:
Ver sequência de postagens.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As cidades de Ninrod

O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné
Gn. 10:10

Conforme os arqueólogos, os primeiros registros religiosos da Mesopotâmia são do culto a An (Anu o céu). Com o passar dos séculos mais de cinco mil deuses chegaram a ser adorados, demonstrando que as origens humanas migraram do monoteísmo ao politeísmo. Nestas cidades primordiais, uma divindade local era considerada patrona e protetora. Seu ídolo era vestido e alimentando pelos sacerdotes.
Alguns desses ídolos eram interpretações do Criador, outros eram representações de ancestrais. Muitas dessas cidades podem ter recebido nomes em referencia a eles, como a cidade de Kish, que talvez homenageie o bisneto de Noé e pai de Ninrod (Gn. 10:8).
Outras aludiam a cidades dos tempos anteriores ao dilúvio. Eridú na lista dos reis sumérios é a primeira das cidades, onde reinou Adapa, filho humano do deus Enki. Alguns apontam que Eridu seria uma referencia a ‘Éden’, ou a cidade ‘Enoque’ de Gn. 4:17, construída por Cain.
Cada vez que uma cidade dominava a outra, aspectos religiosos locais eram intercambiados aumentando a pluralidade dos deuses. As batalhas surgiram, Lagash envolveu-se numa guerra com uma cidade vizinha pelo controle da água, coisa comum naqueles tempos, (Gn. 26:20-21). Em Lagash o patrono era Nim Girsu um deus da fertilidade e das cheias, mas mais tarde os Babilônios o caracterizaram como Ninurta, um deus guerreiro. Outras cidades desenvolveram suas divindades patronas a partir de ciclos astrológicos que auxiliavam no controle da agricultura local tal como Larsa que adorava Utu o Sol e Ur que adorava o deus Lua.
Cada cidade era administrada por um soberano civil e religioso chamado Patesi, ele era o construtor, juiz, administrador e principal representante dos deuses. Normalmente sacerdotes e a realeza estavam envolvidos por laços familiares. Tendo cidades próximas umas das outras, necessidade de liderança unificada, insegurança e laços religiosos comuns, faltava apenas surgir a personalidade popular de um líder capaz de unificar um grande reino!
Foi assim que surgiu Ninrod, um caçador popular, famoso por suas aventuras e com muito talento de liderança. Ele deve ter percebido que a religião era um elemento controlador da população. Conhecendo as cidades daquela época, acharemos a pista desta personalidade:
Babel (Babilônia) no hebraico significa ‘porta de Deus’, a tradição Babilônica diz que foi fundada pelo deus Marduque e foi destruída pelos Acadianos para construir uma nova capital. Certamente o mito de Marduque, celebrado pelos babilônios posteriores aos sumérios é uma versão divinizada da própria história de Ninrod. Seus sucessores precisaram conservar o poder após a queda de Ninrod e devem ter idealizado a história, dando sua própria versão para transformar o fracasso do império de Ninrod em drama religioso que motivava através da fé religiosa.
Ereque (Uruk) era a segunda cidade de Ninrode na margem esquerda do Eufrates, onde foram encontrados dois zigurates. Ereque ou Uruk era a cidade natal do mítico Gilgamesh, certamente um mito inspirado no Ninrod. Suas esculturas o mostram como um valente caçador assim como Ninrod. Seu mito diz que ele se torna o melhor amigo de um selvagem chamado Enkidu e com ajuda dele abatem feras míticas, sendo uma delas uma espécie de leão que guarda a floresta dos cedros e a outra, um touro enviado dos céus.
Acade se tornou Agade, onde surgiu o império Acadiano e Calné é uma cidade ainda não bem identificada, cuja alguns a relacionam com a famosa  Nippur, sig. ‘lugar de passagem’, segundo a mitologia seria este o lugar de residência do deus Enlil quando este foi expulso do jardim da morada dos deuses, tornando esta cidade o maior centro de sua adoração.
Sendo ele Camita, talvez tenha tido uma esposa Semita, na verdade não sabemos, mas parece ter sido muito influente entre os proto assírios e acadianos. Seu reino cresceu e ele tomou conta do sul da Assíria, naquela época as primeiras tribos Assírias habitavam Assur, fundada com o nome de seu ancestral, enquanto Ninrode, identificado com Nino o fundador de Níneve, iniciou cidades como Reobote-Ir, Calá que atualmente é chamada de Ninrude e Resén.
Não é difícil compreender que um personagem real está por trás de todos estes mitos. Talvez Ninrode tenha sido um patesi, um rei guerreiro e caçador que em sua ambição entendeu que a religião e a força ofereciam poder. Ninrode significa ‘rebelde’ e talvez seja apenas o apelido deste homem que construiu a primeira ditadura da história promovendo um governo paralelo aos princípios de Deus.
por Pr. Ericson Danese

*Para fontes ver a postagem anterior.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As técnicas de Ninrod para manipular as pessoas

Abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra.”

Gn. 9:1

A vida após o dilúvio não foi nada fácil! Imagine como seria começar tudo de novo? Não há casas, cidades ou tecnologia, exceto as ferramentas trazidas na Arca de Noé, no restante, haviam voltado à idade da pedra. Animais selvagens perigosos, plantio com estações do ano desconhecidas. Pense em como conviver entre oito pessoas num mundo em que a fome, a doença e o clima são uma ameaça constante?
Conforme a população cresceu, as novas gerações foram influenciadas por seus pais. Ouviam as histórias de uma terra idílica anterior ao dilúvio, mas o novo mundo estava cheio de penhascos, pântanos, desertos em formação e geleiras. Como reagiram as adversidades? Todos eles mantiveram plena confiança em Deus? O filho de Noé chamado Cam (Cão) parece não que não aceitou muito bem as mudanças. Era rebelde, desgostoso e irreverente passando estas características a sua posteridade.
Muitos deles viram Deus como injusto. Havia apenas dois caminhos, o 1º era rebelar-se e negar Deus, o 2º redefinir Deus conforme seus próprios gostos. Ninrode, o construtor de Babel (Gn. 10:8-10) sem dúvida pertencia a um grupo de homens que desejavam o poder a qualquer custo. Talvez o próprio Ninrode seja a mente por trás de boa parte da mitologia suméria que em certos aspectos é uma transformação da história bíblica em descontentamento e rebeldia. Veja como a escritora Ellen G. White descreve o comportamento dos adeptos de Ninrod:

Os edificadores de Babel tinham alimentado o espírito de murmuração contra Deus. Em vez de se lembrarem com gratidão de Sua misericórdia para com Adão, e de Seu gracioso concerto com Noé, queixaram-se de Sua severidade ao expulsar do Éden o primeiro par, e destruir o mundo por um dilúvio. Entretanto enquanto murmuravam contra Deus, como sendo arbitrário e severo, estavam a aceitar o governo do mais cruel dos tiranos. ... Os homens de Babel tinham-se decidido a estabelecer um governo que fosse independente de Deus. Alguns houve entre eles, entretanto, que temiam ao Senhor, mas tinham sido enganados pelas pretensões dos ímpios, e arrastados aos seus desígnios.[1]
Vejamos como a arqueologia confirma esta ideia através da mitologia suméria e como Ninrod pode ter manipulado as pessoas usando seu descontentamento:

Ø  Severidade com Adão e Eva

Um selo cilíndrico achado na cidade sumeriana de Lagash apresenta um casal (seria o rei Gudea ou Adão e Eva?) conduzidos ao trono deus Anu ou Enki. O rio da vida sai do trono da divindade e o casal está em posição de clemencia, súplica de penitência, atrás deles vem uma serpente quadrúpede alada (dragão), mas o deus que lhes serve de intercessor é o próprio dragão, sob forma humana (repare as serpentes sobre os ombros de quem leva o casal pela mão). Este ser é Ningishzida, guardião do trono e da árvore do conhecimento, ou a própria serpente do Éden.
Em outras palavras, esta mitologia conserva a história de Gênesis, mas inverte os valores e o caráter dos personagens. Satanás é a serpente dragão, mas em lugar de tentador e inimigo do homem, ele apresentado como um ser divino que fornece o conhecimento negado por um Deus que em sua tirania nega a água da vida eterna para o casal humano. Nesta perversão, Deus é mau e Satanás é o intercessor que tenta aliviar o sofrimento humano!

Ø  Expulsão do Éden

Os deuses estão revoltados com muitos trabalhos então Ea(Enki) resolve criar o ser humano para ser escravo dos deuses e do barro faz Adapa. Enki lhe dá sabedoria mas não dá vida eterna, então Anu (deus dos céus) resolver ‘tentar’ Adapa para lhe dar a vida eterna.
No ‘Mito de Adapa’, Adapa(Adão) é o sacerdote de Eridu (Éden?) cultuando o deus Ea(Enki). Certo dia enquanto pescava o vento sul provoca o naufrágio de seu barco e irritado Adapa corta as ‘asas’ do vento. O deus Anu (divindade dos céus) manda chamar Adapa, mas Ea o seu protetor lhe adverte a não experimentar qualquer coisa que Anu lhe der para comer. Mais tarde descobre que foi privado da comida que lhe daria vida eterna.
Noutro mito correlacionado, os ‘deuses vivem no jardim de Dilmun’ onde não há morte ou dor. Neste lugar, Enki come sete frutos que o envenenam, mas ele é curado pela ‘senhora da costela’. Neste mesmo jardim, outra versão diz que o deus Enlil se apaixona por uma deusa, mas ao estupra-la é banido para a ‘terra do não retorno’.
Os pontos comuns destas lendas com a história Bíblica são claros, porém a versão suméria é tão misturada e os papéis tão invertidos que só é possível se revoltar se o Criador fosse assim como descrito por estas superstições.

Ø  Perversão ao destruir o mundo com Dilúvio

No épico de Atrahasis, o deus Enlil não pode dormir por causa do barulho dos homens, então decide inundar o mundo, mas antes que ele envie o dilúvio o deus Ea(Enki) avisa Atrahasis que entra numa arca com animais e pessoas. Após o dilúvio Atrahasis oferece sacrifícios aos deuses e estes descem como ‘moscas’ sentindo o cheiro da carne assada, para alimentar-se do sacrifício. Nesta versão do dilúvio, Deus é mostrado como um impaciente soberano que por motivo fútil, ‘sono’, resolve destruir todos os que incomodaram.
O historiador judeu Flávio Josefo, do 1º século d.C. diz que tradição informa que Ninrod se rebelou contra Deus acusando seu governo de tirania e prometeu vingar os seus antepassados que haviam perecido no dilúvio. Revestindo o caráter de Deus com a identidade do diabo, por certo ele conseguiu apoio de pessoas que se sentiram escravizadas e estavam prontas a trocar o governo sábio e justo de Deus através de suas leis pelo maior dos tiranos.

Pesquise Mais em:
Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira.
Ellen G. White, História da Redenção, Casa Publicaora Brasileira.
Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
Philip Wilkinson, Mitos e Lendas Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.
Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova
Serie Logos, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.


[1] Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 123.